A Madame Petisca

Na sua infância, a pequena reguila fazia jus ao ditado “Quem não arrisca, não petisca”: trocava os seus afazeres de menina pela perseguição aos cheiros exóticos que inundavam os corredores do pequeno palacete dos seus pais…

…até chegar à gordita e sorridente cozinheira. Lá, entre a saia da cozinheira brasileira e os tachos, aprendia os segredos dos petiscos que faziam a delícia da família. O fado de no futuro ser uma burguesa exemplar não lhe agradava: só de pensar que não poderia cozinhar, arrepiava-a toda.

A nossa madame rebelde fugiu então ao destino (e de casa), juntando-se como assistente de cozinha a uma tripulação de um cargueiro numa volta ao mundo. Foi nesse percurso e a caminho da Noruega que apurou as suas Lascas de Bacalhau com Ovo a Baixa Temperatura (BT).

A essa rota, juntaram-se outras que contribuíram para os pratos que hoje pode provar como o Hambúrguer Wagyu, de influência nipônica, e no regresso a Portugal o Quindim, que remete a suas memórias de terras brasileiras. Ainda em alto mar, as saudades lusitanas bateram mais forte e a Madame decidiu voltar à sua cidade natal e fincar raízes na Rua de Santa Catarina, onde construiu um espaço com vista para o Tejo. Assim, poderia sempre olhar para o horizonte e recordar as suas aventuras. Nesta volta ao mundo, os seus dotes culinários associados à sua altivez burguesa, valeram-lhe o nome que ainda hoje carrega, “Madame Petisca”.